23 de maio de 2010

O Grande Monstro Urbano

O grande monstro urbano...

Somos corpúsculos que o mantêm vivo,

A grande balbúrdia cotidiana da vida

Com suas idas e vindas infernais;

Buzinas e monóxido de carbono

Também as alegrias dos reencontros,

As tristezas das despedidas,

Gente a morrer em ambulâncias,

Também gritinhos ruidosos de quem apanhou pra respirar;

O grande monstro urbano

Tempo é dinheiro!

Vencer é lutar!

Seja o melhor!

Consumo às vezes fútil,

Cachorro-Quente a R$ 1,50

Na Conde da Boa Vista

Um caldo de cana, Hollywood e meio-fio;

Sento-me exausto, vislumbrando nossa pequena estatura,

As veias entupidas de ônibus superlotados,

De gente insatisfeita, Hora do Ângelo

Indo para a sopa noturna

Pensando na morte, no amor, na conta vencida

Eis o grande monstro urbano!

Impossível morrer,

Improvável não ser sentido.

4 Comentários:

Washington Machado disse...

Grande poema! Bravo, mestre, bravo!

juliana torres disse...

Pois é ...viver , aqui no nosso cotidiano, na nossa realidade, é isto .Nada mais, nada menos. Sempre inserido nesta máquina urbana. Poucos são os que têm a sensibilidade e senso crítico de olhar de frente para isso, e reagir com o estranhamento e admiração de uma criança recém chegada ao mundo... e foi isso o que vc fez , e sempre faz .Parabéns !

Milena M. disse...

"Um caldo de cana, Hollywood e meio-fio;"

heheh esse foi engraçado..

magda disse...

Gsotei!Da sensibilidade, sobretudo...

" As paisagens atuais não são nada simples, estão cheias de contornos e dobras..., O céu está cinza..., Viver hoje é fechar os olhos..."