2 de agosto de 2009

E-mails a um Jornalista Cético

"Prezado jornalista Hank,

Li sua coluna ontem. Estou enojado com sua capacidade de tornar as coisas sublimes do criador em simples conjecturas e morbidez. Na verdade, farei aqui uma acusação. Acuso-o de incitar a dúvida. Um sentimento como este não pode estar correndo livre. Aliás, deveria sim ficar longe dos fiéis. A dúvida traz consigo a tristeza, a infame sensação de que tudo é vão, ilógico e sem motivo. Tenho alguns trechos daquela idiotice que o senhor escreveu... " com o passar dos séculos, o homem, mesmo tendo experimentado as brisas suaves promovidas pela ciência, ainda insistiu em reverenciar o deus abraãmico, tirânico, invisível e improvável." Diga-me, isto é algo que possa ser dito? O que o senhor entende sobre Deus? Ele mostra-se a quem bem entender, é assim desde os tempos imemoriais. Os relatos bíblicos apontam esta sua característica; mostrava-se às pessoas que ele tinha um proposito específico. O senhor até diz que "as aparições bíblicas sempre passaram despercebidas porque a medicina ainda não havia inventado a Psiquiatria e a Psicanálise". Incutir ciência nas mentes dos mais sofríveis é algo tenebroso, fique o senhor sabendo. Eles não precisam de conhecimento que os tornarão ainda mais desolados, infelizes. Eles precisam de fé, de uma comunidade eclesiástica firme, fiel. usar meios de mídia para levar o que não se quer ler ou ouvir e ver é abjeto e inconcebível. Desprezo sua retórica contra os clérigos, e tenha a certeza de que um lugar muito ruim o aguarda.

Sem mais, um homem de Deus que pede misericórdia por você, filho."

Trechos - Schopenhauer

"Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo […], sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma."

Extraido do livro "A Arte de Escrever" - L&PM Pocket.

27 de julho de 2009

Mulheres... por quê tê-las?

Alguns as tratam com violência e morte. Outros , com afeto sincero. Outros se aproximam em virtude do sexo. Quase todos mentem para elas. A mulher, símbolo do pecado, da luxúria, do erro, nunca foi tão vilipendiada, tão perseguida e acuada. Por quê? Creio que seja a sua retomada de posições no cenário da vida, suas conquistas, ambições naturais. Um ser indispensável. Sua história é marcada por misoginias absurdas. O Deus-hipótese detesta mulheres! Para ele, seu sexo é a maior de todas as perversões, a pior de todas as afrontas á santidade, além de não ser um homem. Certamente jeová nunca deitou-se com uma mulher, nunca sentiu seus aromas, percebeu seus olhares. Tratando-a como lixo e cidadã de segunda classe, o mundo não a reverencia mais... No começo, ela detinha o poder, pela sua capacidade de conceber, de amamentar, da transfiguração de sua própria vida em outro ser, diferente, mas parte sua de maneira íntima. Dos seus complexos órgaos mantenedores de nossa espécie, nasceu a Arte, a Música, o poeta, o juiz e o sacerdote. É detentora do vigor, do músculo forte que abarca tarefas duras, que só mãos delicadas conseguem suportar. Brutalidade não é sinônimo de superação; a determinância de uma sensibilidade, de um furor, é sua marca. Eu ovaciono a mulher, e não espero nada em troca. Tenho-me; sou amado e continuo, eterno, através de minha prole, graças a exemplares desta costela rejeitada, mas que não fazia parte de Adão. Bendita costela!

26 de julho de 2009

Cerebrotonia já - Por uma cidade mais feia e intelectual!

Verdadeiramente não somos cerebrais. Este órgão, tão desprezado e significativamente não-utilizado pela maioria, reinvindica sua aplicabilidade. Músculos têm tomado conta das mentes de muitos: academias e logradouros públicos são invadidos por centenas de milhares de "esportistas", "ginastas", "fisioculturistas", pessoas que buscam a beleza física e há muito deixaram de lado um outro exercício, tão fundamental, e até mais, do que flexões abdominais e estimulação glútea. Quantas pessoas são vistas com livros em praças e jardins coletivos? Quantas são as academias de exercício intelectual ? Bibliotecas não desempenham esta função há muito. Dispostas em vários lugares, são apenas hoje depósitos de livros que não são atrativos, estimulantes, não trazem os praticantes da atividade intelectual ao seu regaço, no mais afastando-os. É bastante atrativo corpos bem torneados, torrados pelos raios nocivos do sol, com pouca roupa e sensuais propositadamente. São belos, mas sem cerebrotonia. Os gregos viam no corpo belo um conjunto - estético e mental - favorável. Não bastava ter belas pernas, dorso bonito ou feições de efebo, era necessário também conhecimento, sensibilidade, intimidade mesmo com o que o circulava, na ágora ou nas academias. Não somos cérebro - razão e emoções em doses necessárias - somos apenas corpo, músculo, albumina e suplementos alimentares. Devidamente estimulada pela mídia gangrenada que temos, estas práticas nos enfraquece, nos torna apáticos, insípidos. Cerebrotonia já, mesmo que a cidade se torne um pouco mais feia.

25 de julho de 2009

Quem tem ouvidos para ouvir...

Povo. Palavra feia. Muita gente confunde povo com nação, com Estado. Temos um dos povos mais feios do mundo, e isso não é motivo para honras. É só sair às ruas e constatar este dito. São milhares de pessoas, todas disformes, completamente, e a maioria é assim, por isso não há alarde. Fisicamente falando são bonitos. Mistura racial deliciosa, onde todas as cores se confundem numa aquarela fantástica de efeitos os mais diversos; narizes, bocas, feições, cabelos, corpos, todos moldados pelo acaso da pluraridade, isto trazendo aquela sensação de surpresa a cada esquina, não se sabendo o que encontrar no próximo minuto. Povo feio. Seu caráter, principalmente em sua ala mais pobre, é valoroso e imitável. procuram ser honestos, pagar as contas, serem solícitos. Mas que povinho mais feio! Criatividade deveria ser seu sobrenome. Burlam as tragédias cotidianas como um atacante maroto derruba um zagueiro distraído; se perdem o emprego, logo estão a desenvolver idéias para ganhar a vida, sendo bem sucedidos muitas vezes. Quando as coisas apertam, conhecem o caminho que sempre é o mais viável. É muita feiúra! Por que digo isso? Somos feios; deixamos as coisas acontecerem de maneira passiva; toda a sorte de injustiça é cometida e não há neste povo uma revolta, uma indignação sequer. Além de feios, somos burros. Sempre estamos cometendo burrices, permitindo um estado de coisas inconcebível, intragável. Um espelho gigante, de imagem sincera, captaria a imagem mais tenebrosa, mais assustadora. A feiúra se encontra em nossa teimosia doente de não nos mobilizarmos, não termos auto-crítica, não distinguirmos o que fazem conosco. Ao invés de pensarmos em tanta coisa, preferimos um bom tira-gosto e uma cervejinha gelada, deixando tudo isso para depois. Patrocinamos esta subjetividade lucrativa que é o estado brasileiro, e somos sempre seduzidos por gravatas, perfumes e palavras bem colocadas, empreando em nossas decisões a estética do mais simpático, não do mais competente. Feios. Deixamos nossos filhos a mercê de um futuro péssimo, que breve estará aí, soprando em nossas janelas o bafo frio da incerteza e do caos. Precisamos mesmo ficar assim, tão desfigurados perante os outros, ou já se foi o dia em que todos teremos esperança de mudar alguma coisa? Não somos feios, apenas mascarados com rostos horríveis; tirar as máscaras e desenvolver-se é crucial. Façamos Hoje.