Vimos recentemente a exposição pública da vida, da carreira e da morte de uma personalidade mundial. Marcada por turbulências e desgraças, a existência de Michael Jackson, sendo analisada friamente, é reflexo de dor e angústia profundas. Hoje buscam-se culpados pela sua morte, mas todos sabemos quem os matou: a mídia e o fã. Este não é o primeiro caso de "linchamento coletivo" que causa o fim de um astro, de um ícone, de alguém que é espelho e molde para muitos. Parece paradoxal, mas estas estrelas são moldadas por aqueles que necessitam de um modelo a ser seguido; o artista e sua produção representam muito pouco de sua fama, de seu status. Aliás, muitas vezes o artista nem produz aquilo que gostaria, levado a compor, escrever, pintar a maioria, os gostos que vendem. Ninguém liga para o que esta "vítima" sente, pensa, analisa sobre o que acontece. Numa manisfestação de dupla personalidade, aquele que está em evidência torna-se obrigado a possuir atitudes públicas e privadas, sem saber o que é realmente aquilo que o representa. A grande maioria dos mitos era constituída de pessoas amarguradas, tristes, o contrário daquilo que sua obra ou persona refletiam, para os outros sufocados pela ganância das grandes companhias, pelo falso sentimento de saciedade, de reconhecimento. Os fãs, criaturas amorfas à procura de valores que entendem o ídolo os dará,constituem a própria razão de ser da dor do artista.Dicotomias? Porçoes de uma mesma coisa maluca? Creio ser este o fato. Na busca por novas expressões, novas canções, novas idéias, somos levados pela mídia a corromper o artista, tratando-o como mercadoria, mal apreciando o que ele quer trazer, levando falsas impressões, além de sermos responsáveis, muitas vezes, pelo choro, solidão, sofrimento e morte destes "ídolos-humanos-comuns".
19 de julho de 2009
12 de julho de 2009
A Semelhança entre Fé e Ciência
Categoricamente, fé e ciência sempre brigaram por um lugar ao sol e também um espaço na vida do homem. Esta luta perdura desde os tempos dos pré-socráticos, e hoje, em nossos dias, ambas tornaram-se sinônimo de última palavra em diversos assuntos. A religião, sempre a mais apressada das duas, ditou suas regras de maneira incontestável durante séculos a fio; basta lembrarmos da Idade Média e suas torpezas inquisidoras, que duraram até o século XIX apresentando a mesma intolerância, a mesma insensatez, a mesma tolice do seu início. Comanda a cabeça de milhares de pessoas ao redor do mundo, influenciando a vida de forma direta, absoluta, ditando quando, onde e como deve-se proceder para que a vida seja melhor, mais completa. os argumentos para isto? Deus, um ser improvável e distante, que governa o mundo com mãos de ferro e olhos atentos, pronto para mandar ao inferno qualquer um que tenha a audácia de seguir outra doutrina, outra forma de pensar. Convincente, não?
A ciência moderna, mais nova que a fé, trouxe este novo olhar sobre o mundo e sobre como homem deveria seguir. No início foi difícil suportar o jugo supersticioso da Igreja, que não queria de modo algum que as coisas dessem errado para ela, mas com o passar do tempo as pessoas foram aceitando de maneira mais salutar esta nova "fé". Sim, não escrevi errado; a ciência nada mais era do que fé, uma vez que o leigo, o homem comum, não podia ver nenhuma manifestação científica comprovada, feita in loco. Os novos "sacerdotes" não se diferenciavam dos antigos, que traziam os mistérios invisíveis do alto numa língua estranha - o latim - , vestida numa ritualística complexa e intragável. Os cientistas, muitas vezes, não se importam de trazer à luz, numa linguagem facilitada para a compreensão dos homens não "iniciados", as "verdades" que propõem; muita coisa ainda não se conhece na Natureza, e o que se tem de concreto acaba reservado para os profissionais de jaleco. Muitos ramos científicos, principalmente a Medicina que está mais próxima e que interfere diretamente no cotidiano, tem seu jeito peculiar de transmitir às pessoas o mundo daquilo que não se vê mas que se sente quando se vai a um consultório qualquer. Raramente há entendimento entre as partes envolvidas, e sempre o médico se sai melhor. Então temos duas formas de "verdade" que muitas vezes não esclarecem muita coisa, excluindo o comum, o não-letrado e o ignorante de suas revelações impositivas. Nisto ambas se parecem.
10 de julho de 2009
Em Busca de Um país Lobateano
"Um país só se constrói com homens e com livros." Assim Monteiro Lobato definia o que era necessário para o surgir de uma nação, um Estado, um povo. Poucas vezes viu-se na História um reino, um ducado, um principado, uma vila, uma cidade, qualquer aglomeração humana realizar esta utopia lobatiana; é certo que possuímos países com altos graus de cultura, muitas vezes fazendo parte da criação desta. Segundo a divisão marxista das nações, onde várias foram colônias e outras tantas colonizadas, as primeiras sempre impuseram suas diretrizes culturais, e as segundas eram obrigadas a retê-las, inclusive suas formas de ver e analizar a realidade.
Pouquíssima coisa temos com as grandes nações letradas do mundo. Portugal nunca esteve disposto a construir uma grande civilização entre os "selvagens", preferindo outras formas mais rentáveis de espoliação e domínio. Tínhamos aqui uma identidade, hoje já bastante divulgada e analisada, mesmo que se pareça bastante com a antiga forma de comércio ancestral; quase ninguém liga realmente para o que um pajé ou uma tribo faziam no meio do mato, mesmo sendo esta nossa expressão humana mais próxima. Prevaleceram as uiformidades, a cultura, a visão da realidade do dominante barbudo e alvo. Mas voltemos para o principal. Nosso país atravessa uma boa fase, onde a economia tem sido elogiada e alguns índices importantes têm sido alcançados na área social, mas ainda não é tudo. Não é só casa e comida que faz uma nação feliz. É preciso que aquele do início, idealizado por Lobato, aconteça. Como poderemos gerir as nossas finanças, nosas contas públicas, a saúde, a educação básica, a luta pela igualdade, contra as injustiças, como conseguiremos encarar este difícil regime - o da democracia - se nem mesmo sabemos como funcionam as leis, como somos regidos, o que a constituição determina, ou nem mesmo sabemos quem foi Machado de Assis? Neste proposital estado de coisas atuais, onde se escolhe entre comer ou ler, a massificação da informação pelos meios mais baratos - até ilegais - pode ser uma alternativa para se baixar o custo dos livros impressos e de outras mídias. Defendo sim o download, a pirataria, as formas mais econômicas de inclusão. Quando o valor for menos importante do que o serviço de utilidade pública do conhecimento destinado a qualquer público, e este possa pagar sem passar fome, aí a lei pode ser observada. Boicotes, passeatas, espaços comunitários de imprensa, divulgação de sítios com livros e documentários gratuitos, todo apoio deve ser estimulado para que o acesso seja maior e mais digno, atingindo o maior número de pessoas. Não nos enganemos! Enquanto não obtivermos um povo esclarecido, jamais seremos um país lobateano.
7 de julho de 2009
Polícia: Autoridade X Imbecilidade
Polícia. Qualquer um que entenda o mínimo sobre esta palavra sabe : quanto mais distante dela, melhor. O chamado "braço armado da sociedade" tem deixado a mesma em pânico, quando não deixa mortos e feridos por onde passa. Criada no intuito de executar as leis e fiscalizar a ordem pública , esta instituição promove, ao bel prazer, manifestações de arrogância, covardia, desprezo e inversão de valores. Como disse, seu objetivo é fiscalizar o cumprimento da Lei, ordenada por um congresso nacional, instituído pelo povo... esperem aí? O maior prejudicado com as ações truculentas da PM não é justamente o povo? O mesmo povo que elege maus políticos, que consequentemente criam leis atrasadas e cheias de falhas absurdas, que no final são fiscalizadas por incompetentes policiais, ávidos a manter o cabresto social... é mesmo tudo uma grande bola de neve. O povo, do chope do domingo, da praia no sábado, do feriado na sexta, este mesmo povo, que acaba sendo trucidado por seus párias fardados.
Mas o que se passa na mente de um policial mediano nas grandes cidades do país? Filho de pais de classe reprovável, inscreve-se num concurso onde milhares de indivíduos como ele esperam a chance de terem poder. O dinheiro conta muito, é verdade, afinal, ele não gostaria de perpetuar a herança condicional dos seus genitores; viver de maneira paupérrima em algum bairro marginal. O governo garante um salário baixo, medíocre mesmo, não por causa de sua arrecadação, mas porque duas coisas não podem ser colocadas nas mãos do populacho: dinheiro , mais do que o necessário para comer e procriar, e autoridade, independente do nível. Passado o período que corresponde ao treinamento e aperfeiçoamento dos praças que irão às ruas salvaguardar a mim e a você (curso este que inicia o futuro policial nas práticas hediondas da discriminação, preconceito, desconfiança excessiva e modos violentos de abordagem) este jovem está a serviço do cidadão comum; recebeu do estado uma parcela milimétrica do poder que gere o contrato social, mesmo assim imagina-se grande, imponente, superior àqueles que realmente possuem o poder, desta vez majoritário. Os socos, piadas, insultos, humilhações, e até mesmo execuções sumárias de cada dia nos mostram isso da maneira mais revoltante.
Hoje a polícia é temida, não respeitada; é indesejada, tida como repressora (pura verdade), e insensível às situações presentes nos diferentes agrupamentos humanos. Pobres diabos sentindo como se fossem senhores de nossas vidas, reguladores de nossos atos e, acima de qualquer coisa, imponentes super-humanos, que não sofrem as espoliações, a mendicância, a opressão destinada a nós, seres baixos. Só um imbecil para não perceber tudo isto.
6 de julho de 2009
Vivendo de Pão e Circo... até quando?
Todo mundo aprecia um bom espetáculo. O artista, longe de trazer o real frio, medonho, igual do cotidiano, é tomado pelo dom do ludibriar para fazer uma platéia real encantar-se com o imaginário, e quase sempre dá certo. Aliás, em algumas situações sempre dá certo. Vejamos a política brasileira.
Conturbações de ordem administrativa, provocadas com certa regularidade pelos agentes públicos, têm sido o calo de muitos governos no mundo. O Brasil tem cadeira cativa nesta matéria, uma vez que nunca houve "Ordem", mesmo que tenha havido um certo "Progresso" por aqui. Se perguntássemos a qualquer indigente nas portas das igrejas em qualquer grande cidade nacional qual o seu maior motivo de vergonha, não demoraria muito e logo viria uma resposta categórica - "a politicagem brasileira". Perceba que "politicagem" é algo extremamente pejorativo, a saber, a bandalheira, a arruaça, o banditismo utilizando um mote político. Será que no Brasil a coisa deve realmente ser tocada assim? Apenas nós, cidadãos brasileiros, temos o "privilégio" de assistir a tamanho evento, e nos remediarmos num sentimento medíocre de apaziguamento? Thoureau dizia que se financiamos um governo corrupto, logo somos corruptos; não podemos espalhar aos quatro ventos que somos honestos e morais, se com nosso dinheiro proporcionamos a trapaça, o roubo, o pão e o circo dos homens do poder. Uma brincadeira que nos custa muito, muito caro, e que mata, diariamente, milhares de pessoas - de fome, de frio, de moléstias primitivas, de espera em filas, de vergonha. Ser expectador deste teatro dos horrores significa estar condizente com ele, em conluio com ele; nós, com o trabalho e cargas tributárias, eles, com putas, mordomia e luxo, sem o mínimo esforço. Não somos tão covardes quanto eles? Somos vítimas, ou verdadeiros fingidos? Por onde andam os intelectuais, sempre medrosos; os formadores de opinião, protegidos pela carcaça da inviolabilidade midiática; a universidade, sempre reservada e apática; os artistas, que ganham o metal cobiçado, cospem no povo e vão embora? Perguntinhas difíceis, não? Não. As respostas todos nós sabemos bem, e não se encontram num futuro próximo, nem nas próximas gerações, nem na cidade mítica de ouro e jade acima de nós. Instrução. Educação política. Informação abalizada. Participação popular. Enganjamento cívico. Vergonha na cara. O que você me diz?